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Resistência à Insulina: o que temos de evidência?


Dieta e atividade física são fatores primordiais para prevenção e tratamento da resistência à insulina (RI), uma vez que a vida moderna tem se caracterizado por gasto energético diminuído, exposição a um ambiente alimentar obesogênico e tempo sedentário prolongado, o qual desencadeiam mecanismos propostos como sistema de defesa contra o estresse metabólico.


A RI, pode ser mascarada por quadros de hipertrigliceridemia, concentrações diminuídas de colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL) no sangue e aumento do perfil inflamatório do paciente, que culminará em um metabolismo da glicose deteriorado, resultando em hiperglicemia, tolerância diminuída à glicose (IGT) ou diabetes mellitus tipo 2 (DM2) evidente.


Efeitos dos Macronutrientes

Em relação aos componentes da dieta, uma estratégia dietética chave para o tratamento da resistência à insulina é o consumo de alimentos e refeições que diminuem as flutuações de glicose conhecidas por induzir estresse oxidativo e danos às células beta.


A resposta glicêmica depende de muitos fatores, incluindo a quantidade total de carboidratos consumidos, tipo de carboidrato, tipo de amido (ou seja, amido resistente), preparação de alimentos, (ou seja, gelatinização, tamanho do farelo), outros macronutrientes nos alimentos (ou seja, gordura, proteína, fibra), e as funções orgânicas fisiológicas (estômago, hidrólise pancreática e enteral, esvaziamento gástrico, taxa de absorção intestinal de nutrientes etc.)


O ritmo alimentar de consumir uma refeição, também tem sido implicado na modulação da hiperglicemia pós-prandial, pois por exemplo, comer rápido tem sido associado a maiores excursões glicêmicas. Além disso, outra estratégia importante a ser considerada é o consumo de alimentos e refeições que induzam uma menor carga glicêmica e retardam o esvaziamento gástrico, levando à diminuição das necessidades de insulina e excursões de glicose pós-prandial, podendo também reduzir a fome e o desejo de comer. Esses alimentos e refeições, normalmente contêm alta fibra (particularmente fibra solúvel) e baixas quantidades de carboidratos facilmente absorvíveis, baixas quantidades de carboidratos totais e são ricos em proteínas.


Efeitos da Perda de Peso

A perda de peso foi proposta como uma estratégia chave para o tratamento da hiperglicemia pós-prandial e RI. Em indivíduos obesos, resistentes à insulina e com DM2, os efeitos benéficos da perda de peso na glicemia pós-prandial e na RI são principalmente devidos à diminuição dos níveis sanguíneos de ácidos graxos não esterificados (AGNE) e a uma melhora na supressão da oxidação de gordura mediada pela insulina.


Low Fat vs. Low Carb vs. Déficit Calórico

Os achados gerais tendem a apoiar evidências de ECRs existentes e estudos observacionais que mostram que pessoas com marcadores indicando maior risco de diabetes, pré-diabetes ou RI têm menor risco quando reduzem a ingestão de calorias, carboidratos ou gorduras saturadas e/ou aumentam a ingestão de fibras ou proteínas (magro proteína animal ou proteína vegetal) em comparação com seus pares.


Estudos investigando planos alimentares específicos para perda de peso usando uma ampla gama de composição de macronutrientes em pessoas com DM2, produziram resultados mistos em relação à eficiência e eficácia no peso corporal, HbA1c, perfis lipídicos e pressão arterial. Como resultado, as evidências não identificam um plano alimentar ou uma determinada composição de macronutrientes que seja claramente superior a outra e possa ser geralmente recomendada para perda de peso para pessoas com DM2.


Desta forma, em cada caso, dietas de baixo teor de gordura ou baixo teor de carboidratos, não se mostram superiores a uma dieta que, independentemente da distribuição de macronutrientes, vise o déficit calórico a fim de promover a perda de peso de forma individualizada, centrada no paciente e depender inteiramente do estilo de vida, hábitos, práticas alimentares, preferências e metas metabólicas do paciente.


Sugestão de leitura

Blog Science Play: Resistência à insulina e síndrome metabólica

Blog Science Play: A relação entre a dieta com pouco sal e resistência à insulina

Blog Science Play: Dieta rica em proteínas é eficaz na melhora da resistência à insulina?


Referências Bibliográficas:

GARDNER, Christopher D. et al. Weight Loss on Low-Fat vs. Low-Carbohydrate Diets by Insulin Resistance Status Among Overweight Adults and Adults With Obesity: A Randomized Pilot Trial. Clinical Trials and Investigations. v. 24, n. 1, p. 79-86, jan. 2016. Obesity Journal. (doi:10.1002/oby.21331)

PPAKONSTANTINOU, Emilia et al. Effects of Diet, Lifestyle, Chrononutrition and Alternative Dietary Interventions on Postprandial Glycemia and Insulin Resistance. Nutrients. v. 14, n. 823, p. 4-78, feb. 2022. (doi:10.3390/nu14040823)


Autora: isadora Martins

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