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Por que a estratégia Low-Fodmaps é introduzida ao paciente com Síndrome do Intestino Irritável?



A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um dos distúrbios gastrointestinais mais comuns na prática clínica, afetando cerca de 11% da população mundial. Seus principais sintomas consistem em dor e distensão abdominal e outros sintomas relacionados à frequência de evacuação e consistência das fezes. Apesar da etiologia não ser totalmente conhecida, sabe-se que pacientes diagnosticados com SII apresentam sensibilidade no trato intestinal na maioria dos casos. Sabendo disso, será possível fazer o controle desse distúrbio através da alimentação?


Microbiota e a Síndrome do Intestino Irritável


A microbiota, composta por diferentes filos de bactérias ao longo do trato gastrointestinal, quando em desequilíbrio, ocasiona diversas alterações sistêmicas em indivíduos. Esse estado, também conhecido como disbiose, pode estar relacionado a outros distúrbios, incluindo a SII.


Nesses casos, a disbiose pode ser relacionada à tendências genéticas, aumento da permeabilidade intestinal, inflamação crônica, e fadiga crônica, gerando sintomas como dor e desconforto abdominal provenientes de gases, que podem ser ocasionados por hipersensibilidade visceral, hiperatividade da mucosa, estresse, distúrbios de motilidade, disfunção do eixo intestino-cérebro e intolerâncias alimentares. (Blog HQ: A microbiota intestinal e suas possíveis implicações à saúde)


O que é a Low-FODMAPs?


A Low-FODMAPs é uma estratégia dietética que consiste na restrição do consumo de um conjunto de carboidratos (oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis) denominados FODMAPs. Por serem carboidratos de cadeia curta e pouco digeríveis, seu consumo está associado à formação de gases, desconforto, dor, e consequente distensão abdominal, visto que a microbiota intestinal realiza a fermentação dos mesmos.


Alguns exemplos de alimentos que possuem altos teores de FODMAPs são algumas frutas (frutose), alho, cebola, pão branco e integral, castanha de caju, pistache, leite (lactose) e mel.


Low-FODMAP aplicada à Síndrome do Intestino Irritável (SII)


A literatura tem trazido atualizações a respeito do tema, evidenciando algumas práticas que têm surtido efeito no controle e melhora dos sintomas da SII. O Colégio Americano de Gastroenterologia (ACG) em sua última publicação a respeito do tema, incluiu orientações relacionadas a práticas nutricionais, citando a importância da adoção de uma dieta low-FODMAP.


Por consistir em um distúrbio relacionado à hipersensibilidade e inflamação da mucosa intestinal ligado a alterações no sistema nervoso central, é importante ressaltar a importância da dieta para uma melhor qualidade de vida nos indivíduos acometidos por ele, visto que a alimentação é a melhor forma de se modular a microbiota intestinal.


A estratégia pode ser aplicada, por meio da redução do consumo, em geral, de alimentos com alto teor de FODMAPs, ou da restrição totalmente do seu consumo, sendo essa última aplicação composta por 3 fases:


1- A primeira fase é a restrição total de FODMAPs. Os FODMAPs consistem em alimentos e substâncias compostas majoritariamente por oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis. A literatura aponta que a redução desses tipos de carboidratos (curtos, pouco digeríveis, e posteriormente, fermentáveis no intestino) leva à diminuição de sintomas gastrointestinais, visto que não servirão mais como substrato para a microbiota, reduzindo a osmolaridade intestinal e a formação de gases. Dessa forma, os principais sintomas que acometem pacientes com SII são reduzidos, visto que a distensão e posterior dor causada por gases reduz drasticamente.


2- A segunda fase da dieta low-FODMAPs consiste na reintrodução dos alimentos que foram restritos, porém, isso será feito aos poucos (por grupos alimentares). Dessa forma, é possível identificar qual a sensibilidade individual de cada sub-grupo;


3- A última fase, após conhecer quais alimentos afetam o trato do paciente, é personalizar a dieta de acordo com suas necessidades específicas.


Considerações Finais


Diversos estudos recentes têm comprovado a eficácia da aplicação da estratégia de baixo consumo de FODMAPs em pacientes portadores de Síndrome do Intestino Irritável, mostrando sua capacidade em reduzir sintomas gastrointestinais e melhorando sua qualidade de vida quando comparado a indivíduos que seguem uma dieta normal.



Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, seguem abaixo algumas sugestões:


Science Play: Curadoria Microbiota CLUB com Karina Al Assal - Síndrome do Intestino Irritável


Blog HQ: A microbiota intestinal e suas possíveis implicações à saúde


Artigo: VAN LANEN, Anne-Sophie, et al. “Efficacy of a low-FODMAP diet in adult irritable bowel syndrome: a systematic review and meta-analysis.” European journal of nutrition, 2021. doi:10.1007/s00394-020-02473-0


Artigo: LACY, Brian E.; PIMENTEL, Mark; BRENNER, Darren; CHEY, William; KEEFER, Laurie A.; LONG, Millie D.; MOHIREE, Baha. ACG Clinical Guideline: Management of Irritable Bowel Syndrome. The American journal of gastroenterology, v. 116, n. 1, p. 17–44, 20 https://doi.org/10.14309/ajg.0000000000001036ACG


Artigo: WANG, Lin, et al. Gut Microbial Dysbiosis in the Irritable Bowel Syndrome: A Systematic Review and Meta-Analysis of Case-Control Studies. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v.120, n.4, p. 565–586, 2020. https://doi.org/10.1016/j.jand.2019.05.015