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O manejo dietético para o combate da SOP



A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um dos distúrbios do sistema endócrino mais comuns em mulheres jovens, estando relacionada a desregulação hormonal, metabólica e reprodutiva. Nesse sentido, a SOP é caracterizada pela menstruação irregular, ovários policísticos e hiperandrogenismo, resultando o aumento da resistência à insulina e obesidade. Assim, embora a verdadeira causa dessa síndrome ainda seja desconhecida, a falta de tratamento pode estar relacionada ao maior risco da paciente desenvolver diabetes tipo 2, dislipidemia, doenças cardiovasculares e câncer de mama e endometrial. Portanto, cria-se a necessidade da aplicação de um manejo dietético para o combate da SOP, promovendo a manutenção da saúde.

O controle do peso na SOP


Como citado anteriormente, os estudos demonstram que existe uma ligação entre a SOP e a obesidade, sendo vista em aproximadamente 40 a 60% dos casos. Nesse cenário, além de promover o aumento da incidência de doenças crônicas, essa comorbidade contribui para o agravamento da SOP.


Logo, estratégias de redução de ingestão calórica (500 a 1000 kcal por dia) apresentam efeitos positivos, entretanto, essa conduta deve ser acompanhada de terapia comportamental e psicológica, visto que são encontradas desordens na regulação do apetite nessa população. Por fim, devemos levar em consideração que dietas restritas, como a low-carb, não apresentam efeitos significantes na perda de peso a longo prazo, logo, devemos priorizar uma alimentação balanceada.


Promovendo a melhora metabólica


Ao mesmo passo que a restrição calórica promove a perda de peso, essa ação também melhora os distúrbios metabólicos e reprodutivos, sendo considerada um bom manejo dietético para o combate da SOP. Além disso, deve-se basear em boas fontes alimentares, buscando produtos como frutas, vegetais e grãos inteiros, fornecendo principalmente alimentos de baixo índice glicêmico e com alto teor de fibras, estando relacionado a melhora do perfil insulínico e redução de doenças cardiovasculares.


Além do mais, a prática alimentar próxima a dieta mediterrânea, evidencia melhorar a sensibilidade à insulina e redução da síndrome metabólica, graças também a redução do consumo de gorduras saturadas e trans. Por fim, em relação a esses macronutrientes, podemos lembrar também da importância do consumo de ômega-3, beneficiando diversas vias, como o controle inflamatório, controle da inflamação crônica, do perfil lipídico e da função endotelial.

O consumo de minerais na SOP


Já em relação aos micronutrientes, a literatura demonstra a necessidade de dar atenção à deficiência de alguns minerais. Dentre esses, podemos citar o magnésio que foi encontrado a carência em mulheres com resistência à insulina, sendo necessário a reposição. Da mesma forma, a redução dos níveis de cromo pode prejudicar esse metabolismo e, por outro lado, a reposição desse mineral se relaciona com a redução do hirsutismo e no alívio dos sintomas da SOP.

A ingestão de cafeína na SOP


O consumo de cafeína é um fator preocupante para mulheres diagnosticadas com SOP, afetando a ovulação e a função do corpo lúteo por meio da alteração dos níveis hormonais. Nesse cenário, os estudos confirmam que a maior ingestão desse composto aumenta o risco de infertilidade. Portanto, doses elevadas de cafeína devem ser evitadas em mulheres com SOP.


Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, seguem abaixo algumas sugestões:


Blog HQ - O coaching nutricional no tratamento à obesidade

Gordura trans: proibição da Anvisa e seus malefícios a saúde


Artigos:


FAGHFOORI, Z.; et al. Nutritional management in women with polycystic ovary syndrome: a review study. Diabetes & Metabolic Syndrome: Clinical Research & Reviews, v. 11, p. 429-432, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.dsx.2017.03.030.


HAMILTON, K.; et al. Insulin Resistance and Serum Magnesium Concentrations among Women with Polycystic Ovary Syndrome. Current Developments In Nutrition, [S.L.], v. 3, n. 11, 2019. http://dx.doi.org/10.1093/cdn/nzz108.


YANG, K.; et al. Effectiveness of Omega-3 fatty acid for polycystic ovary syndrome: a systematic review and meta-analysis. Reproductive Biology And Endocrinology, v. 16, n. 1, 2018. http://dx.doi.org/10.1186/s12958-018-0346-x.