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Entenda de uma vez por todas as diferenças entre os prebióticos e probióticos


Você provavelmente já ouviu falar dos termos probióticos e prebióticos mas, você sabe de fato quais são as suas principais diferenças?


Pensando nisso, o objetivo do texto de hoje é trazer exatamente os conceitos fundamentais, para que você saiba de uma vez por todas, diferenciá-los.


Primeiras Descobertas


O estudo acerca dos potenciais benefícios que as bactérias poderiam oferecer para a saúde de indivíduos não é tão recente quanto imaginamos. Há pouco mais de um século, o cientista Elie Metchnikoff ganhador do prêmio Nobel e professor do Instituto Pasteur em Paris, sugeriu que as bactérias ácido-lácticas (BAL) poderiam modificar a flora intestinal, através da substituição de microrganismos benéficos pelos maléficos.


Desde então, os distúrbios do trato intestinal começaram a ser tratados com bactérias não patogênicas, com o intuito de modificar ou substituir a microbiota intestinal, bem como ao longo dos anos, diversos estudos vêm sendo amplamente publicados com inúmeras descobertas.


Entendendo os Probióticos


A palavra “probiótico” vem de origem grega e significa “para toda a vida”. Sua definição na literatura sofreu diversas modificações ao longo dos anos. Atualmente, a definição utilizada foi estabelecida pelos especialistas dos grupos de trabalho da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) e da OMS (Organização Mundial da Saúde), posteriormente revisada e mantida pela International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP).


Sendo assim, os probióticos são definidos como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro, sendo as espécies mais utilizadas os Lactobacillus e Bifidobacterium. Sobre o tema, embora as bactérias com efeitos probióticos possam ser encontradas em alguns alimentos fermentados, como: kefir, iogurte, kombucha, missô e tempeh, nem sempre são considerados de fato probióticos, pois é necessário especificações quanto ao tipo e quantidade de bactérias, bem como estudos clínicos. Ou seja, em humanos que comprovam seus benefícios, para que então sejam caracterizados como probióticos.


Entendendo os Prebióticos


O conceito de prebióticos, foi inicialmente proposto por Gibson e Roberfroid em 1995, e assim como os probióticos vêm passando por diversas modificações conforme a literatura torna-se cada vez mais robusta. Atualmente, segundo a International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP), os prebióticos podem ser definidos como um substrato que é utilizado seletivamente por microorganismos hospedeiros que conferem um benefício à saúde do indivíduo.


Os prebióticos são considerados carboidratos fermentáveis, sendo os mais amplamente documentados e dispõe de benefícios à saúde em humanos, sendo os oligossacarídeos não digeríveis, frutanos e galactanos. Certas fibras fermentáveis ​​solúveis, são candidatos a prebióticos, e alguns outros tipos de fibra alimentar podem ser prebióticos, desde que sejam utilizados seletivamente pela microbiota hospedeira e promovam a saúde. Logo, categorizar as fibras como prebióticos é complicado pelo fato de que uma fibra alimentar pode ser um prebiótico em um hospedeiro, mas não em outro.


Entendendo as diferenças dos mecanismos de ação


Os probióticos possuem inúmeras funções, sendo que a sua principal vantagem é o efeito que exerce sobre o desenvolvimento da microbiota intestinal de forma a garantir o equilíbrio adequado entre os patógenos e as bactérias necessárias ao funcionamento normal do organismo. Ainda, agem estimulando os mecanismos imunes da mucosa e interagindo com microrganismos potencialmente patogênicos, gerando assim produtos metabólicos finais, como ácidos graxos de cadeia curta. Outro mecanismo de atuação, é por meio do fortalecimento da barreira intestinal, além da regulação negativa da inflamação e da regulação positiva da resposta imune.


Já os prebióticos, como não são digeríveis, ou seja, quebrados pelo hospedeiro, não são absorvidos. Desta forma, alcançam o intestino grosso, onde fica a maior parte das bactérias e lá são fermentados, onde passam a ser o combustível para as bactérias probióticas. Sendo assim, enquanto os probióticos usam microorganismos vivos, os prebióticos são substratos que servem como nutrientes para organismos benéficos abrigados pelo hospedeiro. O seu consumo afeta amplamente a composição da microbiota intestinal e sua atividade metabólica, aumentando o número de bactérias benéficas e diminuindo a população de microrganismos potencialmente patogênicos.

Portanto, ficou evidente a importância de entender as diferenças entre esses conceitos, visto que sua aplicação é ampla, bem como seus benefícios, principalmente para a manutenção e composição da microbiota intestinal.


Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, seguem abaixo algumas sugestões:


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Artigos:

GIBSON, Glenn R.; et al. Expert consensus document: the international scientific association for probiotics and prebiotics (isapp) consensus statement on the definition and scope of prebiotics. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, [S.L.], v. 14, n. 8, p. 491-502, 14 jun. 2017. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/nrgastro.2017.75.


HILL, Colin; GUARNER, Francisco; et al. The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics consensus statement on the scope and appropriate use of the term probiotic. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, [S.L.], v. 11, n. 8, p. 506-514, 10 jun. 2014. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/nrgastro.2014.66.

MARKOWIAK, Paulina; ŚLIŜEWSKA, Katarzyna. Effects of Probiotics, Prebiotics, and Synbiotics on Human Health. Nutrients, [S.L.], v. 9, n. 9, p. 1021, 15 set. 2017. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu9091021.

SANDERS, Mary Ellen et al. Probiotics and prebiotics in intestinal health and disease: from biology to the clinic. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, [S.L.], v. 16, n. 10, p. 605-616, 11 jul. 2019. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/s41575-019-0173-3.