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Como a crise econômica impacta na estatura da população mais jovem?

Atualizado: 3 de jan.


Esse título pode parecer chocante, mas há, de fato, uma correlação entre esse agente e a estatura da próxima geração.


Primeiramente, vamos desmembrar quais são os fatores que afetam, diretamente, a altura de um indivíduo. Segundo o Departamento Científico de Endocrinologia (2016), a altura é referente a diversos fatores, como por exemplo, sono adequado, prática moderada de exercícios, saúde emocional, ausência de doenças crônicas e, claro, genética!


De fato, este mesmo relatório afirma que 80% da estatura, aproximadamente, é determinada pela altura dos pais, corroborando que o fator genético é, sem dúvidas, o principal fator determinante da estatura de uma criança. Mas então porquê do título chamativo?


A insegurança alimentar sempre foi e, possivelmente, sempre será um problema de enfrentamento público, como todos os demais países, nunca acabamos com a fome da população, sempre existiram famintos que remexiam o lixo e, infelizmente, tendo a acreditar que sempre existirão.


Contudo, há duas palavras do parágrafo anterior que demonstram como atuávamos nessa questão, “enfrentamento público”, em outras palavras, o governo, na maioria das vezes, estudava, ouvia especialistas e implementava políticas públicas que atuavam no cerne da questão.


Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) de 2014, o Brasil saiu do Mapa Mundial da Fome, demonstrando que as ações tomadas até o momento haviam sido assertivas para a diminuição desse problema.


Entretanto, os dados levantados pela Rede Penssan (2021) trouxeram uma realidade brutal e alarmante: houve um aumento de mais de 8 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave no passar de 2 anos. Em 2018, eram 10,3 milhões, já em 2020, são 19,1 milhões e ao que tudo indica, a situação não será sanada de maneira efetiva, vide discussão a respeito do valor pago pelo "auxílio Brasil", mas deixemos este assunto para um próximo capítulo.


Tudo bem, é possível entender como a pandemia e a inanição do governo federal pioraram o consumo alimentar da população, mas como isso afetará na estatura da próxima geração?

Se vocês acompanharam os grandes veículos de mídia, devem ter esbarrado em alguma reportagem a respeito de famílias buscando alimentos no lixo, comprando ossos ou pés de galinhas e buscando as opções de alimentos mais baratos, quando possível.


Ao pensarmos na alimentação, devemos considerar duas fórmulas fundamentais, principalmente quando tratamos de populações vulneráveis, o Gasto Energético Total (quantidade de calorias gastas em um dia, levando em conta as funções fisiológicas do indivíduo, sua atividade rotineira, sua atividade física e, se for o caso, seu fator de enfermidade) e o Valor Energético Total (quantidade de calorias que devem ser consumidas para manter o peso corporal, sabendo que se houver um superávit calórico, ocorrerá um ganho de peso e se houver um déficit calórico, ocorrerá uma perda de peso).


Isso se torna demasiadamente importante, visto que um dos principais efeitos deletérios ocasionados em crianças é o retardo do crescimento (indicador de desnutrição crônica), ademais, se o déficit energético perdurar por um longo período, o organismo lutará por sobrevivência, diminuindo ainda mais os tecidos corporais e utilizando os poucos nutrientes disponíveis, gerando, por consequência, uma população adulta de baixa estatura.


Para um estudo mais aprofundado sobre o tema, seguem abaixo algumas sugestões:


Blog HQ: Como a crise que vivemos pode influenciar na estatura da população?


Sugestão de estudo do portal Science Play -


Artigos:

MARTINS, V et al. Desnutrição e repercussões na saúde. In: COZZOLINO, S.; COMINETTI, C. Bases bioquímicas e fisiológicas da NUTRIÇÃO: nas diferentes fases da vida, na saúde e na doença. 1. ed. [S. l.]: Manole, 2013. p. 619-643.


MACHADO, R. DEPARTAMENTO CIENTÍFICO DE ENDOCRINOLOGIA: Crescimento. 2016. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/09/CrescimentoVe8.pdf>. Acesso em: 09 Nov. 2021

FAO. The State of Food Insecurity in the World. 2014. Disponível em: <https://www.fao.org/3/i4030e/i4030e.pdf>. Acesso em: 09 Nov. 2021